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IRMÃOS MORREM CARBONIZADOS E PAI É PRESO EM INVESTIGAÇÃO DAS MORTES

Dois irmãos, de três e seis anos, morreram carbonizados em um incêndio em uma casa em Linhares, no Norte do Espírito Santo, na madrugada deste sábado (21). As chamas atingiram apenas o quarto das crianças. Quando os bombeiros chegaram ao local, os dois já estavam sem vida.

(Foto: Reprodução/ TV Gazeta)
O pai, que é pastor, contou que assistiu a um filme com os filhos à noite e depois os colocou para dormir. Por volta das 2h, a babá eletrônica que monitorava as crianças no quarto começou a apitar e ele ouviu gritos dos filhos. O cômodo estava fechado por causa do ar-condicionado ligado.

Ele não conseguiu entrar no quarto e nem apagar as chamas, que já estavam muito altas. Vizinhos tentaram ajudar, mas também não conseguiram. Quando os bombeiros chegaram, constataram que as crianças já estavam mortas.


O pastor George Alves, pai de Joaquim e padrasto de Kauã, de 3 e 6 anos, disse em depoimento que tentou entrar no cômodo para salvar as crianças pelo menos três vezes. Após coletar material para o exame de DNA, ele relembrou o momento. “Escutei os choros, a gritaria, eles gritando ‘pai, pai’. Pus a mão na cama e queimei as mãos, mas não consegui pegar”, disse

(Foto: Kaio Henrique/TV Gazeta)

O filho mais velho, Kauã, era fruto de um relacionamento anterior de Juliana. Com George, ela teve Joaquim e outros dois filhos: Helena, que morreu há cerca de dois anos vítima de uma doença, e João, de aproximadamente um ano e meio.

Segundo George, o fogo começou por volta das 2h. Ele contou que, ao colocar Joaquim para dormir, ligou o ar condicionado e a babá eletrônica, equipamento que monitora o que acontece no quarto das crianças.
Mais tarde, ele pediu que o mais velho fosse dormir e, em seguida, foi para o quarto, tomou banho e dormiu. Algum tempo depois, ele acordou quando o fogo já estava tomando o quarto das crianças.

“Por volta de umas 2h da manhã, escutei a babá eletrônica, os gritos deles, vi o fogo muito grande [através da babá eletrônica], corri desesperado, e a casa já não tinha energia. Eu empurrei a porta do quarto deles, que estava entreaberta, eu só havia encostado por causa do ar condicionado, entrei. Quando entrei, escutei os choros deles, a gritaria, eles gritando ‘pai, pai’. Pus a mão na cama, queimei as mãos, não consegui pegar”, lembrou George.


Ele acredita que Kauã tenha descido da beliche onde dormia para tentar ajudar o irmão e se proteger. “Eles se abraçaram, eu não consegui, o fogo estava muito quente, queimei meus pés, minhas mãos. Eu saí, estava só de cueca, gritando. Comecei a desesperar, duas pessoas vieram e me tiraram da casa, eu tentei uma três vezes entrar para salvar mas já não ouvia mais a voz deles”, lamentou o pastor.

“Não tem uma resposta pro mundo se não for Deus, se eu não tivesse Deus eu não estaria aqui, porque há menos de dois anos eu já perdi uma menina com três meses por uma doença. Creio que Deus tem um plano sobrenatural sobre essas coisas”, disse George.

 (Foto: Rafael Zambe/ TV Gazeta)

Um mandado de prisão temporária, de 30 dias, foi expedido pelo juiz Grécio Grégio contra ele. O pastor passou por exames no Serviço Médico Legal e deu entrada na Penitenciária Regional de Linhares. Em seguida, ele foi tranferido para o Centro de Detenção Provisória de Viana. Autoridades informaram que George atrapalhava a investigação sobre o caso.


Por telefone, a mãe das crianças, Juliana Salles, disse que estava muito abalada com a notícia, mas que esperava pela prisão do marido por conta da linha de investigação da polícia. Ainda assim, ela afirmou que não desconfia de George.

Incêndio

 (Foto: Rafael Zambe/ TV Gazeta)
O incêndio aconteceu na casa da família, no Centro de Linhares. Na residência estavam dormindo o pastor George Alves, o filho Joaquim e o enteado Kauã, mas as chamas atingiram apenas o quarto dos meninos. A mãe das crianças, Juliana Salles, estava em um congresso em Minas Gerais junto com o filho mais novo do casal.


A terceira perícia na casa onde houve o incêncio, no dia 21 de abril, foi feita nesta sexta-feira. Peritos, policiais civis e promotores do Ministério Público Estadual participaram. Os trabalhos no local só terminaram depois de quase quatro horas, por volta das 20h30.

Polícia

Em nota enviada nesta sexta-feira (27), a Polícia Civil informou que estão sendo utilizados todos os instrumentos investigativos disponíveis para esclarecer qualquer detalhe sobre o incêndio.

"Para preservar a integridade das apurações ressaltamos que todas as informações sobre o caso somente serão fornecidas por meio de Assessoria de Comunicação e pela autoridade policial assim que o inquérito for concluído, para evitar boatos, notícias falsas e interpretações equivocadas e pré julgamentos".

Fonte: G1 ES

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