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AS BUSCAS CONTINUAM PELAS AS VÍTIMAS DO PRÉDIO QUE DESABOU EM CHAMAS

Ao todo, 49 moradores ainda não foram localizados após o desabamento do prédio no Largo do Paissandu, no Centro de São Paulo, informou o Corpo de Bombeiros na manhã desta quarta-feira (2). Não se sabe se eles estavam ou não no edifício durante o acidente.

 (Foto: Reprodução/TV Globo)

Dentre essas pessoas, há uma desaparecida: trata-se de homem que era resgatado pelos bombeiros quando o prédio em chamas desabou no Centro de São Paulo, na madrugada desta terça-feira (1º), foi identificado pelos moradores como Ricardo. Ele teria cerca de 30 anos e vivia na ocupação há quatro anos.

Vizinhos contaram que, durante o incêndio, Ricardo já tinha saído do edifício, mas voltou para tentar ajudar os moradores dos andares mais altos, que estavam com dificuldade para sair.

Imagens do cinegrafista da TV Globo Abiatar Arruda mostram o momento em que um bombeiro tenta salvar Ricardo, e o prédio de 24 andares vem abaixo por volta das 2h50 da manhã

 veja no vídeo abaixo

         

Ricardo morava sozinho e trabalhava no Centro de São Paulo descarregando caminhões que transportavam produtos importados chineses. Por dia, é possível ganhar R$ 50, contam seus vizinhos e colegas de trabalho. "No seu apartamento, tinha mais planta do que móveis", afirma Gerivaldo.

Ele gostava de andar de patins e era conhecido como "Tatuagem" porque tinha várias imagens desenhadas pelo corpo. A mais famosa era o símbolo do super-herói Batman no pescoço. "As tatuagens não eram exageradas. Elas eram harmônicas", diz o autônomo Osires Palma Filho, de 36 anos, morador da ocupação.


Ricardo morava e coordenava o nono andar – cada andar tinha um coordenador. "Foi ele que autorizou uma limpeza no andar quando eu cheguei", afirma Osires, que morou na ocupação por cinco meses.

(Foto: Reprodução/TV Globo)

Segundo Osires, Ricardo é brigado com a ex-mulher e não tem um bom relacionamento com as filhas. Osires não soube especificar quantas filhas Ricardo tem.

O homem é considerado desaparecido pelos bombeiros, mas a corporação afirma que as chances de Ricardo ser encontrado vivo são pequenas. A corda e o cinto usados pela vítima foram achados nos escombros do prédio nesta manhã de Quarta-feira.
 Um bombeiro que tentou retirá-lo disse que, se tivesse mais 30 ou 40 segundos, teria conseguido salvá-lo. "Ele dizia: 'Me tira daqui por favor', e eu respondi: 'Calma, confia em mim'", lembra o sargento Sargento Diego.

(Foto: Reprodução/TV Globo)

Incêndio e desabamento

O local do incêndio era uma ocupação irregular, e moradores afirmam que o fogo começou por volta da 1h30 no 5º andar e se espalhou rapidamente pela estrutura.


Ainda não se sabe o que causou as chamas. Peritos do Instituto de Criminalística de São Paulo analisam dois botijões de gás encontrados nos escombros.

O capitão Marcos Palumbo, porta voz dos bombeiros, disse que outras hipóteses serão apuradas, como curto-circuito. "A única certeza até agora que temos é a de houve um incêndio, e só análises aprofundadas dirão o que causou."

O prédio era ocupado por 372 pessoas, de 146 famílias, segundo o Corpo de Bombeiros. De acordo com a prefeitura, 320 pessoas foram cadastradas como desabrigadas após o desabamento e 40 delas buscaram atendimento na assistência social.

Buscas e outras ações

Ainda de acordo com o major Max Schroeder, o trabalho dos bombeiros vai ser concentrar em três frentes: o rescaldo e o resfriamento do local para evitar outros focos de incêndio, as buscas pelo desaparecido, que já duram quase 30 horas, e a liberação de algumas vias da região. Uma retroescavadeira estava sendo usada para retirar alguns escombros do local.

Nas buscas, as equipes de resgate usam câmeras instaladas em drones. Elas são capazes de detectar calor e reconhecer a temperatura da pele humana, localizando, assim, alguma pessoa com sobrevida.

Os bombeiros tentam desligar a energia por completo, porque fios da rede elétrica da área são aterrados. Nesta terça, o trabalho de busca foi interrompido para que a Eletropaulo pudesse desligar a energia, mas ainda há suspeitas de que os escombros estejam energizados. "Estamos buscando uma caixa de energia da Eletropaulo", afirmou o tenente Guilherme Derrite.

Os bombeiros devem levar 48 horas para começar a mexer na estrutura do edifício, e a estimativa é que os trabalhos no local durem ao menos uma semana.

MP investiga

Após o desabamento, o Ministério Público de São Paulo reabriu a investigação sobre as condições estruturais do prédio. A promotoria de Habitação e Urbanismo chegou a pedir, em 16 de março deste ano, o arquivamento do inquérito após a Defesa Civil vistoriar o prédio de 24 andares e afirmar que não havia risco estrutural na edificação.
O arquivamento havia sido pedido pelo promotor Marcus Vinicius Monteiro dos Santos. No documento, ele mencionava que "não foram constatadas anomalias que implicassem riscos naquela edificação, embora a instalação elétrica estivesse em desacordo com as normas aplicáveis, assim como o sistema de combate a incêndio".

Fonte:G1

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